hoje tirei o dia pra ser nostálgica. é isso que a febre fez comigo hoje. me deu vontade de revirar as velharias. olha só o que eu encontrei:
Ontem li uma designer dizendo que o medo é sua maior fonte de inspiração. Isso me deixou chocada, porque é óbvio que pra mim e todos os animais do mundo o medo é a maior fonte de inércia, de intoxicação. Eu agora mesmo estou com medo de começar uma história porque a qualquer momento alguém pode chegar por trás de mim e com um mínimo sinal de movimento estourar a placenta onde as minhas palavras se formam. Daí será mais um aborto.
sabe de quem que eu tou com um monte de saudade? da Nay. aquela louca engraçada. nem me despedi dela quando saí de Porto Alegre. sacanagem...
e outra coisa: vou entrar em contato com o queridíssimo amadíssimo Sérgio, já que estou em Brasília e posso aproveitar as coisas boas que a cidade tem.
víbora incrivelmente mortífera diz: não lembro bem se é assim mesmo
víbora incrivelmente mortífera diz: transcreve aí
Felipe diz: estou baixando outros dois episódios
Felipe diz: deixa eu abrir
víbora incrivelmente mortífera diz: isso tem que ser posatdo
Felipe diz: - Batiman, daonde cê tirou esse Bati-escudo, hein? Porra, daonde cê tirou essa merda? - Cê tá muito engraçadinho, hein, Robin? Lógico que foi do cu.
víbora incrivelmente mortífera diz: bah, se tu gosta de mim porque eu falo tosquices, tu vai PEDIR O VICENTE EM CASAMENTO então. ele é a fonte de tudo. ele é o MESTRE
olha, sem querer construir uma imagem gay do meu amigo Felipe, que gosta muito de mulher, eu forçei-o a me PROMETER que vai me dar o presente de aniversário mais legal do mundo, dia 4 de Dezembro: ele VAI me presentear com uma animação de festa super especial, um espetáculo de "Felipe vestido de coelho dançando Flaming Lips". estou aguardando, Sobreiro. e ai de ti se não me der o meu presente. e nada de "é, isso vai acontecer COM CERTEZA" e "pode ir se preparando, é". nada disso. ou então contrata alguém pra fazer o trabalho sujo, hein :)
Fui buscar o Vítor na escolinha pela primeira vez, ele ficou todo alegre. Levei um ovo de páscoa do Passatempo e brinquei um pouco com os amiguinhos dele. O menininho veio correndo me dizer que o Vítor foi o melhor amigo dele hoje. A menininha ficava perguntando se eu era mãe dele e eu tentei um monte de vezes explicar que eu era irmã dele: que o meu pai é pai dele também, mas que a mãe dele não é minha mãe. Muita informação pra uma menininha de 5 anos, e eu queria ter conseguido explicar direitinho... mas como explicar se eu às vezes esqueço que entendo?
Eu acho a Angélica o máximo e fiquei feliz pelas novidades boas e pela conversa ótima que tivemos depois de tanto tempo sem nos vermos. Ela é a mãe do Vítor e ia levar ele hoje pra nadar na academia onde ela dá aula, ele ficou bem feliz. Eu amo o meu irmão, amo todos os meus quatro irmãos, mas sempre me preocupo um pouco mais com o Vítor. E vê-lo bem e me deixou leve, tão leve!
Ai, eu não sei. As terapias finalmente estão funcionando. Hoje a terapia foi ótima e a Andréia me deu umas mandalas pra pintar e ela vai analisar de acordo com as cores, foi muito legal. Estamos vendo se eu volto a fazer aula de yoga com ela. Só que é tão caro... :(
Hoje eu passeei por túneis de ovos de páscoa brilhantes e coloridos no supermercado e deve ser por isso que estou amando todas as pessoas, e isso tem sido tão raro.
Fiquei feliz de trocar emails com a Manu, apesar das circunstâncias. Ela é uma das melhores pessoas do mundo e eu morro de saudades dela, e da Cris também.
Vou terminar os trabalhos que eu tou fazendo, esperar o dinheirinho, esperar o meu computador novo chegar todo lindo e pretinho, ver quanto custa uma mensalidade de aulas de balé, cortar o cabelo que tá caindo no meu olho, e o meu priminho tá me puxando pelo braço pra brincar! Tchau!
Os momentos aqui têm sido maravilhosos, quando eu me permito ficar por aqui enquanto eu preciso ficar aqui. É tão difícil pra minha cabeça ficar no mesmo lugar onde eu tou fisicamente... tudo é uma soma, uma soma, uma soma, uma soma. E todo mundo sabe que eu sou burra em matemática. E que eu perco tempo mas ganho vida. Por que então tudo tá me dando tanto medo? Por que eu não consigo ver a lógica dessas coisas que acontecem sem me avisarem? E cadê você no meio de tudo isso?
Medo medo medo medo... essa merda de medo fica me paralisando e eu tou ficando exausta, mal consigo acordar. Mas ontem eu descobri um truque pra acordar direitinho. Logo que eu levanto, venho pra casa da Fê ver a filhinha dela. E pronto. Hoje elas duas tavam assistindo um filme do Al Pacino. A Isabela não tirava os olhos da tela, por mais que eu ficasse tentando puxar a atenção dela. Tudo isso rimou sem querer. As coisas todas têm rimado sem querer, e não do jeito que eu pensei que seriam por aqui. Estão mais difíceis e melhores, embora eu esteja fazendo coisas que não têm nenhuma lógica pra mim. Espero que a bagagem não fique pesada demais pra eu levar embora daqui, na hora de ir embora.
Estou cansada de dirigir. Tenho tremido. A chuva embaça o vidro do carro. E da janela de casa também, só que olhar a chuva de uma janela parada é mais bonito. Ela cai fininha e cinza no vale. É lindo.
E eu queria tanto viver naquele outro mundinho maravilhoso que eu tava descobrindo, aquele mundo no qual eu só podia entrar totalmente pelada de todos os meus conhecimentos. Isso ninguém mais vai conseguir entender. Por isso acham que a Alice ficou louca depois de ter voltado do País das Maravilhas...
Queria tanto aproveitar mais as minhas manhãs.
In the morning I'd awake and couldn't remember What is love and what is hate - the calculations error Oh-oh-oh-what is love and what is hate And why does it matter - is to love just a waste Why does it matter - oh - oh - ooh - ???
As the dawn began to break - I had to surrender The universe will have its way - to powerful to master Oh-oh-oh-what is love and what is hate And why does it matter - is to love just a waste Why does it matter - oh - oh - ooh - ???
e quem não gosta de mim vai continuar não gostando, hoje eu acho que ligo muito menos pra isso. provocar certas pessoas e ainda conseguir se divertir com isso é um luxo.
sou um pouquinho gaúcha agora: acabei de adquirir o meu primeiro "kit chimarrão". burrice foi ter comprado aqui em Brasília ao invés de ter comprado em Porto Alegre, mas o que vale é a intenção.
ufa, que alívio. terminei o livro mais rápido do que pensava, na semana passada. e eu não tenho nada a ver com o Robert Cohn. Ufa. e eu consegui parar de julgar, ou pelo menos diminuir bastante o julgamento. afinal, todos os personagens ali têm um carisma forte que vai-se descobrindo. igual a quando conhecemos uma pessoa.
o Vini sugeriu que eu lesse Hemingway, pra que eu aprendesse a enxergar os personagens sem julgar. roubei do meu tio O Sol Também se Levanta e não tou gostando muito, talvez porque eu não consegui ficar sem julgar. talvez porque eu tenha me identificado com o personagem mais chato, o Robert Cohn, que pra mim é apenas um bobo indeciso. e parece que ele não passa disso, pelo menos até onde eu li.
ainda tou na metade porque fiquei um pouco cansada do livro, mas mesmo assim não consigo parar de ler. alguma coisa ali sempre me puxa. tem bons diálogos espalhados, e eu adorei as descrições de paisagem que o Hemingway faz. também é muito bom o personagem principal, Jake. e é principalmente por ele que eu tou insistindo na leitura. acho que tenho muito o que aprender com o que ele narra.
olha só:
Cohn: Não me conformo, quando penso que minha vida vai passando tão depressa e não a vivo realmente. Jake: Ninguém vive com a intensidade que deseja, exceto os toureiros. Cohn: Os toureiros não me interessam. Levam uma vida anormal. Quero mesmo é dar umas voltas pela América do Sul. Seria uma grande viagem! (...) Jake: Escute, Robert, tanto faz um país como outro. Tenho experiência disso. Não podemos sair de dentro de nós mesmos. Não adianta.
ontem demorei pra acordar. não queria mexer em todas aquelas caixas empoeiradas, mas precisava arrumar o sótão - que agora é meu quarto - pra festona que minha mãe vai fazer hoje à noite.
a casa ficou bem linda depois da reforma, tão modernosa que eu às vezes me sinto uma sujeirinha tosca no meio-ambiente todo bem decorado. ficou tudo do jeito que ela gosta, e eu vou gostar de morar lá. só tenho a impressão de que às vezes vou cansar e sentir que moro numa loja de decoração, o que pra mim seria divertido e pra minha mãe seria um grande elogio, com certeza. ela devia abrir uma loja de decoração, assim como a vó deveria ter aberto uma torteria antes de morrer. enfim, as pessoas da minha família têm dificuldade pra lidar com o próprio talento.
o sótão é o meu cantinho predileto. é o último andar de um chalé. o único lugar da casa, talvez, que ainda lembre um chalé. e lá tinha tanto passado, mas tanto passado, que eu cheguei a esquecer a minha idade quando separava várias partes da minha vida para serem guardadas, ficarem expostas, ou irem pro lixo. então, tornar o sótão habitável me obrigou a olhar coisas que eu evitava há bastante tempo.
outra coisa estranha sobre o andar de cima é que, quando eu era pequena, a porta do meu quarto ficava aberta à noite, e a vista dava diretamente na parte do sótão onde eu durmo hoje. quando estava tudo escuro e todo mundo dormindo, eu ficava olhando lá pra cima, com medo, achando que sempre tinha alguém me observando.
as coisas mudaram completamente: eu moro lá em cima agora, e não sinto mais ninguém me observando, e me sinto bem.
então, de volta a Brasília. temporariamente, mas esta volta não tava programada... preciso fazer o semestre aqui na UnB pra conseguir a minha transferência. e parece que as coisas aqui estavam me esperando do jeito que as deixei em outubro.