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... just like honey.


* esse é o meu ex blog. o novo está no www.livejournal.com/users/gabiglamrocker

quarta-feira, março 24, 2004


Aqui não há mais espaço para as lamentações que estavam se tornando freqüentes. Não há mais espaço para os medos, as frustrações, as angústias. Chega.
Passei a acreditar que sou uma mulher que não tem medo. Eu vou seguir em frente, seguir a vida. Alguém quer me acompanhar?

posted by gab-gabi  # 12:12




terça-feira, março 23, 2004


Climbing up

Tenho aprendido muito sobre a vida... muito mais do que eu pensei que já pudesse aprender. Sinto que comecei o caminho mais difícil, o das pedras. Espero encontrar paz e que venham os frutos destes meus esforços, logo. Estes esforços estão parecendo colossais. Viver é tão difícil, às vezes.

Tenho sorrido mais para as pessoas. Não tenho xingado no trânsito. Tenho procurado emprego. Tenho evitado brigas o máximo que eu puder. Tenho procurado o colo de mamãe e do meu pai. Tenho pedido socorro pelos olhos. Tenho chorado assistindo comédias românticas. Tenho procurado atividades pra me distrair, como uma criança louca pra brincar. Tenho ajudado a quem amo e tenho tentado não pedir reconhecimento. Tudo isso parece mínimo mas pra mim são passos de elefante... acho que assim vou acabar virando uma pessoa melhor.

posted by gab-gabi  # 19:40




segunda-feira, março 22, 2004


Corcovado - Antonio Carlos Jobim

Num cantinho um violão
Este amor, uma canção
Prá fazer feliz a quem se ama
Muita calma prá pensar
E ter tempo prá sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo!

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade
Meu amor


posted by gab-gabi  # 21:58




quarta-feira, março 10, 2004


tenho tanta, mas tanta coisa pra dizer e nunca tem o computador livre quando eu estou livre... tenho alguns minutos antes de sair para embarcar, mas ainda preciso tomar o banho e revisar a mala. vou ver o mestre, o guru. e gastei muitos dos meus ultimos dinheiros pra me dar ao luxo de fazer isso. era escolher entre ir a Sao Paulo ver o Picasso ou entao pagar um cursinho pra prestar concurso publico. entao, senhoras e senhores, esta foi a primeira demonstracao de que estou mesmo disposta a me arriscar pela arte. pelo menos por enquanto. quero ver ate onde isso chega. e eu pretendo que isso va longe, muito longe.

ps: acordei 5 da manha e o ceu estava azul com cinza, depois de 15 minutos ficou azul com rosa-alaranjado, depois ficou azul com amarelo, e por fim ficou azul com branco.

ps2: acordei feliz. me apaixonei por mim mesma.

ps3: estou amando. de novo. sempre. mais. o Moises.

ps 4: estou com saudades do douglas e da manu, grandes queridos os dois.

posted by gab-gabi  # 08:48




quarta-feira, março 03, 2004


Por onde começar? Fechar a janela do computador, abandonar o teclado e abraçar o papel seria a escolha mais certa. Mas aquele branco todo ainda me assusta. Lembro do Pollock chorando no filme, me deu vontade de chorar também. Porque eu senti aquilo que as lágrimas dele estavam falando.

Os pintores continuam pintando. E eu continuo sem saber. Vejo os artistas trocando palavras atenciosas e compartilhando dos mestres que eu gostaria de ter, vejo eles trabalhando como eu gostaria... vejo-os sofrendo em suas dificuldades, milhões de vezes maiores que as minhas, que só hoje aprendi a segurar um lápis como segura um bom desenhista.

E mesmo assim, sonho que eu ainda posso ir mais longe.

Gostaria de escrever para rememorar aquela noite em que os três estavam andando nas ruas que eu não conheço, passando por prédios que nunca vi antes. Aquela noite em que senti que sim, era possível. Sim e estava ali muito perto, ao meu lado: a arte. E que duas pessoas além de mim sentiam isso também da mesma forma, tão presente em suas peles e tão vibrante em suas vidas, sentiam tanto quanto eu. Enfim eu não estava sozinha naquilo que a minha vida se propôs a buscar, pura e simples criação.

(Recordo com nostalgia de velho as luzes amareladas, o cachorro quente na pracinha, os desenhos, as idéias, os versos. Os filmes, ouvir alguém falar de Hal Hartley como eu. A mesa de vidro redonda, a conversa fluente, leve, me fazia sentir que eu acabaria flutuando para fora da janela, por cima dos telhados.)

Eu me sentia parte de algo. Algo grande, universal, muito importante. E mesmo assim, o momento não tinha aquela solenidade aguada. Talvez isto tenha me feito sentir que a revolução era muito mais simples do que eu esperava, e ela estava acontecendo ali. Não estava começando, estava acontecendo. Em um ano muita coisa evoluiu, a revolução continua e é lenta. Bom ver que não está parada, cada um produzindo do seu jeito. Os meus dois amigos estão um pouco mais à frente do que eu, estão até produzindo juntos, mas não sinto que fiquei pra trás por não ter nada de concreto nas mãos. Sinto que ainda preciso amadurecer um pouco para poder também me arriscar completamente nesta vida de criação, enorme e imprevisível, maior que o mundo. Enquanto isso, respiro e me preparo. Com menos pressa do que antes.

Novamente falo sobre criar porque quando escrevo é um dos poucos momentos em que penso sozinha sobre isso. Vou admitir que me senti bastante incomodada no ateliê, quando a conversa tomou estes rumos. Todos me diziam o quão importante era eu me influenciar pelo trabalho de alguém, e que é preciso saber o que se quer ao criar. Confesso que nunca pensei nisso. Mesmo. Claro que eu admiro muitos artistas, Picasso-Basquiat-Van Gogh-Renoir-Velásquez-David Hockney-Carlos Alonso-Pollock etc etc etc. Mas eu não quero ser eles, não quero fazer o que eles já fizeram. Claro, sei que é importante estudá-los, mas ainda não tenho um objetivo pra isso, não tenho uma rota de estudo. Não quero ficar reproduzindo suas obras, pelo menos por enquanto não. Por enquanto eu prefico olhar e SENTIR as obras. Só isso.

posted by gab-gabi  # 21:42





Coisas que precisam virar roteiros:

1)
:: Terça-feira, Novembro 26, 2002 ::

você precisa dizer tudo o que sente! senão não dá tempo!, gritava o homem estranhamente bonito. ele era um pouco velho, parecia o michael stipe. e tinha uma barba legal. era uma daquelas pessoas extraordinárias, um fantasma ou um anjo. abriu a minha boca e puxou a minha língua. explicou que era pros sentimentos saírem de dentro, puros do jeito que são. e que eu seria feliz com isso. eu quis mesmo profundamente dizer e gritar e expulsar tudo aqui de dentro, mas não dava porque ele ainda segurava forte a minha língua. daí chorei e gritei e comecei a escrever sobre o que eu sentia ao ouvir a chuva. daí ele ficou feliz e satisfeito e me soltou. e eu me senti bem.
:: gabi * 14:07::


2)
:: Quinta-feira, Novembro 28, 2002 ::

O diabo tinha um consultório onde dava conselhos e realizava sonhos. Entrei um pouco hesitante na sala de espera e a secretária, uma moça bem linda de cabelo comprido e escuro (parecida com a moça bonita que vi na festa e que tinha uma tatuagem legal), disse que eu não poderia mais voltar atrás quando entrasse. Eu disse que tudo bem e ela sorriu, bem simpática. Sentei num lugar e ao meu lado estavam uma mulher fumante de meia-idade vestindo roupas estranhas e um cara desempregado. A mulher tinha uma filhinha de uns cinco anos no colo e o homem segurava os classificados sobre os joelhos. Tentei adivinhar o desejo deles. Consegui adivinhar os mais superficiais, mas os profundos não.
Estava demorando e comecei a ficar com medo, queria ir embora, mas a sala já estava trancada. Tocava uma música horrível na sala de espera. O medo foi passando, e não dava nem pra suar porque tinha um ar condicionado forte. Havia uma cabeça de gárgula vermelha (de madeira, pintada com detalhes dourados, meio barroco e gótico juntos) grudada no meio da porta do consultório, parecia o diabo do desenho da vaca e o frango. A gárgula girou o pescoço, olhando a sala, e me chamou. Achei estranho. Me levantei e a gárgula tirou a cabeça de um buraco na porta e abriu a fechadura. Ficou de pé ao lado da porta aberta, sinalizando para eu entrar. Ela era o próprio diabo. Depois ele tirou a máscara de gárgula. E o diabo era simpático e inteligente, um típico doutor, de fala articulada e charmoso. Parecia o David Bowie vermelho. Não parecia tão maldito assim quanto dizem e daí eu não fiquei com medo.
Começou a me fazer perguntas, me pedia para recortar papéizinhos coloridos e fazer colagens sobre o meu coração. A sala dele ia se transformando à medida em que eu ia pensando imagens, elas iam se materializando na sala. De repente a parede estava cheia de obras de arte. Fiquei encantada com tudo, mas ainda tinha dúvidas sobre o que aconteceria. Ele me perguntou mais coisas, sobre a minha vida e sobre os meus sonhos. Pra descobrir os meus sonhos inatos ele respirava bem fundo e pedia bastante silêncio, que era pra ouvir as minhas batidas cardíacas. Ia ouvindo e traduzindo-as em desenhos e palavras, daí me fazia perguntas para confirmar se eu realmente queria realizá-los.
No fim da consulta ele disse que eu estaria usando o livre-arbítrio de uma forma decisiva. E que por isso antes de decidir eu precisava pensar bem, porque seriam transformações profundas e irreversíveis. Disse que eu não poderia culpá-lo se me arrependesse, pois a escolha seria toda minha, ele apenas a realizaria. Começou a tocar piano pra me dar tempo pra pensar e ajudar a relaxar, eram lindas músicas, ele cantava também, e a voz era de chorar de tão linda, grave tipo Jarvis Cocker.
Decidi que não queria realizar os sonhos assim tão fácil porque senão eu não sentiria graça neles, eu queria merecê-los de verdade. O diabo sorriu e disse que admirava a minha decisão e que por isso me daria um presente: daí eu ganhei algumas das obras de arte que havia imaginado. Ele falou que eu sabia ser livre e me desejou boa sorte para realizar os sonhos. Achei engraçado e irônico o diabo desejando boa sorte e sendo ético.
:: gabi * 14:45 ::

posted by gab-gabi  # 21:27




terça-feira, março 02, 2004


Paint as you like and die happy.
O Henry Miller que me contou.

posted by gab-gabi  # 23:39





O sabor de hoje foi um saquinho de papel com 50 centavos de 7 belo. Elas têm gosto de casa da minha vó Vaína e eu só sei comer estas balas aos pares, fica muito mais gostoso. Nem uma, nem três. Tem que ser de duas em duas, com a rigidez de quem segue prescrições médicas.
Logo na hora de acordar, quase embrulhei com mau humor a manhã, mas algo me segurou e veio o sol tão forte sem nadinha de chuva que deixou tudo feliz.
Raramente faço o caminho do SIA de manhã e eu gosto de fazer caminhos diferentes em horários diferentes. Foi distrativo. Estar na UnB me deu um ligeiro mal-estar, uma sensação de não querer ver as pessoas de lá, uma quase-fuga. Não totalmente porque eu estou lá, e agora é uma grande parte de mim que está lá, muito maior do que já esteve. Então eu tenho que cuidar disso. Vivenciar, viver o que é a minha vida agora. E agora a maior parte está nos ateliês. Gostaria de me lembrar constantemente de que as matérias não são os professores, não são os colegas, não são as notas. São os assuntos e eu. E ninguém mais pode compreender esta relação, cada um tem a sua. Lembro que a minha é bastante especial.
Hoje, no primeiro dia de yoga, tive pensamentos engraçados ao invés de me concentrar. Por exemplo, achei que ia me sufocar porque não conseguia respirar pelo nariz. O exercício mais difícil foi o da meditação do ar e da terra (será que era isso mesmo? ou era ar e água?). Mas foi bom respirar todo o mau humor que apareceu na tarde, ele se dissolveu. Saí do centro muito grogue, e me lembrei que o Thom Yorke disse que oxigênio deveria ser considerado uma droga/remédio. Faz muito sentido. Quase bati o carro, isso era um segredo até eu escrever aqui.
Cheguei agora em casa, nem troquei de roupa. Estou inquieta, e me bateu uma tristezinha familiar. Mas bem fraquinha, aquela vontade de chorar por nada. As coisas estavam indo bem, mas preciso sempre cuidar de manter os meus objetivos bem claros na mente. E cuidar da linguagem, dos pensamentos. E só. E dormir bem, pelo menos esta noite sem ficar acordando com medo dos fantasmas (eu tenho medo de verdade, odeio dormir sozinha). Quem sabe se eu trocar de cama...
Quero anotar aqui uma coisa muito interessante que ouvi na yoga. Se algum pensamento atrapalhar a meditação, não julgá-lo, apenas observá-lo.
...

Mas uma das minhas maiores revoluções mentais será quando, no meio de algum mau humor, ou quando eu quiser estourar uma briga, eu conseguir chamar nome do Moisés com toda a doçura, todo o amor que sinto.
Desisti de tentar explicar aqui porque estou me sentindo uma CHATA hoje.

posted by gab-gabi  # 22:57




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