Rainer Maria Rilke:
A volúpia carnal é uma experiência dos sentidos, análoga ao simples olhar ou à simples sensação com que um belo fruto enche a língua. É uma grande experiência sem fim que nos é dada; um conhecimento do mundo; a plenitude e o esplendor de todo o saber. O mal não é que nós a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência, malbaratand-a fazendo dela um mero estímulo para os momentos cansados de sua existência, uma simples distração, em vez de uma concentração interior para as alturas.
Not entirely lost
Sabe, eu quero juntar todas as nossas coisas
especiais, as coisas só nossas: todas as músicas e
conversas e fotografias, todos os desenhos, todos os
bichinhos de pelúcia, todos os lugares onde vamos,
todos os nossos açaís e jantar-foras no meio da
semana... e um infinito de coisas lindas e só nossas!
Quero reunir tudo isso, e juntar a alguns detalhes da
nossa história e escrever um filme tão bonito quanto o
Lost in Translation. Você acha que nós temos uma
história tão especial quanto a do Bob e da Charlotte?
Eu acho! E acho até que a nossa é mais bonita ainda.
Pobre em Abril
Acabo de descobrir que tenho só mais três meses de emprego...
Aceitar a condição
Parece que agora a trégua começou mesmo. Desde segunda-feira já contei 4 dias em paz, dias de cabeça leve. Tenho sido muito otimista e não estou acostumada a esta atitude otimista. Agora fecho os olhos pro que eu não quero ver, e isso tem aliviado bastante a mente... tento me lembrar do que o Rilke diz, e aceitar a vida com humildade. Tento lembrar do livro budista que diz que a mente é um rio que passa. Lembrar do Amarante dizendo "Tanto faz, que o que não foi não é."
Sinto que o motivo maior de brigas está sumindo lentamente. O motivo não tem um nome, tem vários. O motivo tem diferentes cores de olhos, diferentes tamanhos de cabelo, diferentes rostos. Rostos que eu não quero ver, me assombram. O motivo é o passado, o motivo são os outros. Tenho fechado a mente para o passado, tanto dele quanto meu, que insiste em voltar a me atormentar.
Mas preciso confessar que ainda dói lembrar certas histórias, lembrar a discussão de domingo/segunda-feira... lembrar o motivo que me deu tanta raiva que cheguei a dizer coisas más que eu não sinto. Sei que não pude evitar, mas também sei que preciso tentar e não existe outra opção. A doçura e a amargura não podem conviver juntas, a mistura é indigesta e estraga o meu sono.
O fato é que eu preciso me dar mais segurança. Tenho medo da trégua ser quebrada por algo que provavelmente virá de dentro de mim. Um dos venenos que eu engulo, uma hora pode sair de novo. No segundo dia de trégua saiu um comentário tão ácido da minha boca que eu não acreditei que tinha dito aquilo. É triste ver que isso ainda me controla às vezes... E é perigoso. Se eu me propus a não pensar em histórias desagradáveis e a não fazer comparações, preciso cumprir isto pra continuar em paz.
Visões
Dezesseis horas atrás eu estava deitada na cama do meu namorado, pensando antes de dormir, saboreando o silêncio pré-sono. Aproveitando aquele estado de mente relaxada, quis saber o quão longe eu conseguiria enxergar pra dentro, rever as coisas que só eu vi, e com que intensidade eu sentiria a minha própria história.
Forcei a memória pra visualizar o meu rosto de quando era bebê, depois de quando era menina pequena, tentei lembrar de todas as fases da minha vida até hoje.
Foi difícil e a minha maior conclusão foi de que jogo muito das minhas histórias fora.
O resultado é que o passado (o bom passado) está suplicando para que eu não o esqueça junto das más histórias, das lembranças tristes. Então estou numa terrível nostalgia, daquelas de ler todos os e-mails antigos, ver as fotos do passado, as fotos de infância, querer ficar perto da família e repetir aqueles rituais de quando eu era pequena. Valorizar um pouco a minha vida, enfim.
Talvez assim as visões voltem, talvez prestando um pouco mais de atenção à minha vida e ao dos que me cercam, prestando atenção em cada detalhe... Assim acho que aquela vida toda volta, acho que a névoa que se colocou diante dos meus olhos nos últimos anos desapareça, e talvez eu possa de novo ver as coisas.
Fun fun fun
A cara do Bill Murray nesta foto está ótima!
Muito bem. Agora é só começar.