não estou com cabeça pra pensar a começar a discutir sobre fórum social, ou a dar opiniões espertinhas sobre qualquer coisa relacionada a política ou arte ou cultura. e nem sei mais o que eu ando perdendo estes dias no mundo. o tsunami passou por mim nos jornais e eu nem percebi. a verdade é que eu estive cada vez mais trancafiada num quartinho sem janelas perdido dentro de mim. consumindo toda a minha energia e a minha massa cerebral mastigando pensamentos desbotados. isso não é bom. é alienante. não conseguindo conversar direito com os meus amigos, não conseguindo abraçar o Vini como ele merece ser abraçado. não conseguindo acreditar que a chave está bem ali na fechadura. mas lá na parte mais inteligente e perdida na minha cabeça eu posso ver que vou sair desse lugar. sem papel de vítima, por favor. sei que estou esgotando todas as paciências do mundo. e a quem tenta me ajudar eu agradeço e peço desculpas por ser tão difícil assim. mas as pessoas acreditam em mim e isso é tão bonito.
lindo.
valioso.
aliás acabei de me dar conta, agorinha enquanto escrevo, do quão importantes foram as conversas e os abraços dos últimos dias, e do quanto eu não quero desperdiçar tudo o que as pessoas têm depositado em mim. é por isso que amanhã vou acordar cedo e tentar de todos os jeitos possíveis ser uma pessoa melhor, e concentrar toda a minha vida em ser tudo o que eu fui feita pra ser. e mais uma vez me entregar pro mundo.
e este, meus amigos, vai ser o MEU fórum pessoal.
espero que você chegue antes da chuva, meu amor. espero que você venha antes de eu ficar chorona outra vez. sei que eu vou ficar feliz quando te vir.
os erros, o defeito, as imperfeições são o que me movem. porque sei que vou gastar uam vida inteira tentando consertá-los em mim. tentando ao menos conviver com eles. a negação me mata, eu tenho negado e morrido muito todo dia. e tenho aprendido com isto.
acordei com a sensação de uma saudade tão apertada, de alguma coisa que acho que perdi ontem e não sei bem o que é. talvez seja até bom pra mim ter perdido esta coisa, porque senão eu já teria sentido falta dela. só sei que fui envolvida por essa atmosfera pós-mortem, aquela sensação de nunca mais poder voltar a ver uma pessoa amada. de ter perdido uma parte de você. e eu não sei o que eu perdi ainda.
desculpa. pela raiva, por te desprezar tanto às vezes. não é por querer. desculpa por eu ter tanta vontade de cuspir no seu rosto, por querer esmagar a sua cabeça na parede até os ossos ficarem macios. desculpa por não te dar chance, e até por às vezes não querer mais que você viva, nem deixar você ser feliz do jeito que você quer. desculpa por não respeitar quem você é. desculpa por não cuidar de você, de te alimentar mal. por te machucar por dentro fazendo coisas estúpidas. por não te deixar dormir bem. por atrapalhar a sua paz e estragar a sua diversão. te fazer parar de desenhar e pintar e caminhar olhando as coisas bonitas na rua. por te queimar de cigarro e querer que você fique doente. parece até que eu te odeio, mas no fundo é muito bem o contrário. só que eu não sei conviver contigo.
tudo isso é algo que sinto obrigação a dizer a mim mesma. chega de palhaçada, o fundo do poço está tão próximo de novo e eu não quero voltar pra lá.
mas ei, eu preciso de um tempo sozinha pra fazer as pazes comigo.
olá, blog.
não te abandonei. só não tenho tempo e computador pra escrever em você, por isso precisei te substituir temporariamente por um velho amigo, o papel. quando puder volto a escrever aqui.
mas nos veremos em breve.
um grande abraço,
eu.